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a mente pinball

05 de abril de 2016
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Sempre me faço perguntas de checagem e refaço uns passos para ter certeza de que estou onde queria/deveria estar.

Numa conversa esses dias, ocorreu-me uma metáfora interessante para explicar uma forma de nos comportarmos [ lógico que opinião e comparação minha, mas pode ajudar ou gerar alguma reflexão, mesmo que seja para provar por A + B de que estou completamente equivocada ]. Não fiz Psicologia [ não ainda, e não academicamente, mas gosto de inventar palavras e caminhos ]. Eis.

Comumente temos a impressão de que, ao nos tornarmos mais velhos, ou seja, ao nos tornarmos “nossos pais”, quem sabe, passamos a reclamar mais. Que os anos voaram e a contar repetidas vezes histórias negativas que nos acontecem ou com quem está ao redor, um caso ainda mais comum. Sinto muito isso quando ligo para os meus pais aos fins de semana. Falo em média de uma hora e meia a três horas e, muitas vezes, ouço os mesmos temas e até frases/narrativas completas. Pouco se tem a falar sobre metas, buscas, conquistas. Isso para mim sempre foi preocupante, pois, penso que quando eu não tiver o que ou onde buscar, não haverá motivos para o meu despertador tocar.

Fiquei a me perguntar o porquê de repetirmos etc. A linha do horizonte parece pequena, ter uma muralha, quem sabe. Daí que ocorreu-me a metáfora: se imaginarmos nossa vida como um jogo de pinball, em constante expansão e movimento em alta velocidade, veremos que, se temos sempre novas informações, nosso piso e leveza ampliam. Ao absorvermos o que nos é transmitido, igualmente amplia. Parece um poema, mas assim me parece a vida.

Se ficamos sempre em nossa zona de conforto e nos questionamos todos os dias se são gigantes ou moinhos de vento, sem realmente ir até lá, criamos zonas reativas, que brotam do solo, e ficamos a bater cada vez mais nos obstáculos, como se, a cada batida, ganhássemos pontos no mundo real [ muitas tarefas, nenhum tempo, nem olho pra cima, vejo nada ] e nada de dissolver a massa sólida – que muitas vezes nem é percebida, até que o horizonte some, sem nem nos darmos conta. A cada dia, criamos mais outras. Novos montinhos. Quem sabe um continente. Em uma área pequena a mente respira cada vez menos, pois não foi deixado espaço. Não se criou o plano, e sim muros.

Manter a mente ocupada, ter um hobby [ e, por que não vários? ], criar pequenas novas experiências e desafios ajudam. Ver filmes, ler sem pressa pra acabar e migrar de livros, mudar de calçada. Tantas formas. Parece-me fazer sentido. Se a gente não cuida da mente pinball, em um trocadilho inevitável para mim, a gente pimba.

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