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Feliz dia, todo dia

02 de novembro de 2016
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– Ah, uma nuvem. Única, no meio do céu azul, disse Truddy. Dona Gertrudes.

– Sim, ela veio só pra você, olha como ela é bonita. – disse sua cuidadora. Ela inclusive vê rostos em toda parte. Sempre que anda de carro, encontra sorrisos formados pelas traseiras dos veículos. Uma artista, pensei.

Dia dos Mortos. De celebrar a vida. Mais um ano de vida dessa incrível senhora de 22 anos [ na conversa, ela começou dizendo que tinha 21, mas, como fazia anos, tem 22 agora ], bem vividos. Uma senhora nascida na Alemanha, mas que viveu grande parte da vida nos Estados Unidos e não fala alemão. Daquelas senhoras fofas, que limpam a boca no guardanapo como quem seca as costas com a toalha de banho, vigorosamente, que comemora a escolha de uma farta porção de camarão empanado com fritas, a brindar com uma taça de de whisky, com cereja ao fundo. Cereja esta, não havia percebida, mas que, ao a avistar, abriu largo sorriso, a pescou com do dedo e comeu de uma tomada só, com os olhinhos apertados, agitando os braços em comemoração, como se estivesse em um show de calouros. Numa tentativa de manter dentro de si este prazer  por mais tempo. 

Contei a ela que fiz Moda, sou Designer. Ela: “já fiz muita roupa pra mim também, mas hoje não faço. Já tenho muitas roupas”. Sim, e como é bonita com seus cabelos totalmente grisalhos, bem cuidados e sua roupa muito bem escolhida. 

A outra senhora presente, perguntou-me onde cortei meu cabelo, ela queria ter um corte igual. Fico imensamente feliz quando vejo que posso inspirar gente de toda idade, que nem conheço, mas que nos reconecemos, da mesma estampa. Outra corajosa que vive sozinha, dividindo os dias nos cafés da tarde e festas com as amigas. Livre.

Nos últimos dias, aprendi muito sobre viver a vida depois dos 50. Observando a frase, não quero mais usar o termo: “viver depois”. Nunca vivi depois, sou do agora. Até breve. Preciso ir. Crescemos dizendo que nossas vidas nunca serão como as escolhas feitas por nossos pais e conhecidos, mas, em grande parte os caminhos seguem diferentes, mas do que planejamos para nós e alinhados ao que já visto antes.

Fui a uma festa da melhor idade e percebi que as pessoas se divertem sem próteses de alegria, vulgo smartphones. Um simples diferente, em que se vive no presente e não há pretensão de pular ou alongar etapas. Suspiro. Conheci uma senhora que ganhou o mundo aos 50, mas que na verdade o mundo estava o tempo todo dentro dela, bastava se permitir ver. E ela foi. Com os olhos marejando, contou que nunca se imaginou pisando em Hong Kong e outras cidades, vendo a cidade de cima. Hoje ela tem muitos países na conta em 16 anos de novos rumos, desde então. Com muita simplicidade, senti-me no corpo de outra, mais próxima. Tive grande orgulho de seu “despertar”. Todas as conquistas “do lado de fora” devem ser muito comemoradas. Viver fora não é simples, apesar da maioria não acreditar. Cada braçada nos deixa mais fortes, corajosos e felizes. Mesmo quando tudo dá errado, deu certo. Quero chegar nessa idade vivendo intenso como hoje, olhando pra tudo e achando sempre algo mais. Um viva a tudo, um viva a ela. Viva! 

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