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Mein Weg

06 de fevereiro de 2019
caminho-sussie-tatiana-vieira

“Há muito tempo que eu saí de casa
Há muito tempo que eu caí na estrada
Há muito tempo que eu estou na vida
Foi assim que eu quis, e assim eu sou feliz

Principalmente por poder voltar
A todos os lugares onde já cheguei
Pois lá deixei um prato de comida
Um abraço amigo, um canto prá dormir e sonhar

E aprendi que se depende sempre
De tanta, muita, diferente gente
Toda pessoa sempre é as marcas
Das lições diárias de outras tantas pessoas

E é tão bonito quando a gente entende
Que a gente é tanta gente onde quer que a gente vá
E é tão bonito quando a gente sente
Que nunca está sozinho por mais que pense estar

É tão bonito quando a gente pisa firme
Nessas linhas que estão nas palmas de nossas mãos
É tão bonito quando a gente vai à vida
Nos caminhos onde bate, bem mais forte o coração

E aprendi…”

[ Gonzaguinha ]

tenho muitas músicas na minha alma. Tem dias que eu nem uso fones. Eu canto com a mente e nem percebo que estou sem eles na bike. Então eu quis dividir essa com quem me lê. Sinto-me escrita em prosa, verso e cantada lindamente.

andar de bike tão cedo pela manhã é algo que realmente faz parte da minha vida de forma positiva. Por mais que eu busque sempre novos caminhos, ande em muito em círculos e não faça ideia do que estou fazendo, são nos momentos de tarefas mecânicas, que muita coisa se esclarece. Mas para isso é preciso pisar firme nas escolhas para seguir.

andando de bike em um dia de neve de -6ºC e 6 cm de altura, meu limite para o uso de bike foi finalmente encontrado – pude observar um pouco mais. Amo a chuva, sempre tenho coisas boas com ela. A neve eu não tinha no Rio de Janeiro, então estamos ainda fazendo amizade. :)

observo com cuidado as estrelas, o movimento da Lua, encontro novas anotações – a lotar os bolsos das calças e bolsas. Observar o gelo me fez estar diante de algo ainda novo para mim. Lidar com temperaturas e intempéries que se desenvolvem como novas camadas em minha alma.

[ e agora estou começando a entender algumas destas camadas pelo viés oriental, mas fica para outra conversa ]

logo que peguei a bike, tive uma reflexão muito singela e emocionante: para seguir firme na neve, não me era permitido pisar onde alguém já tinha passado. Eu precisava pisar em locais novos, ainda não maculados na neve. Então eu ri de mim mesma e segui em frente. O caminho se faz ao andar. O mundo é nosso. <3